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dez 2011

Momentos de um macho #2: meu primeiro filho

por Johnny Amaro sobre Relacionamentos em 04/12/2011 - 16:47

Essa história se passa no ano de 2004, quando eu era apenas um garoto de 17 anos. Vivia a época mais reveladora da vida. Tudo era novo e eu me impressionava demais com as coisas – levava uma vida agitada e até meio rebelde.

Coisa de adolescente.

Naquele tempo eu morava com minha mãe e meus quatro irmãos – dois meninos e duas meninas. Infelizmente não tivemos a figura de um pai. Era uma época em que eu só aparecia em casa para comer e dormir. Minha vida era de casa para o trabalho, do trabalho para a escola.

E havia em minha vida uma namorada.

Leila era seu nome. Uma linda morena, naquela melhor fase em que a garota está quase virando mulher. Para minha sorte ela era toda minha e eu já não me via sem ela.

Nosso namoro estava para completar um ano. Estávamos em crise e, numa das muitas brigas, a gente terminou. Eu sofria de uma solidão sem fim. Todo dia era cinzento. Mas eu era orgulhoso demais e não fui atrás dela. Eu me sentia como um zumbi que vivia sem motivos, sem sonhos... Nem consegui esboçar reação quando uma amiga me contou que a Leila havia pedido pra “ficar” com um brother meu lá da escola.

Naquela época eu tinha uma grande amiga. Liliam era seu nome e eu gostava muito de sua companhia, do seu jeito sempre sorridente. Um sorriso que me fazia bem. O carinho que ela tinha por mim eu não sentia vir de mais ninguém.

Eu estava solteirão e caí na boemia. Nem dormia aos fins de semana. Sempre que possível estava tocando rock n’ roll com meus amigos. E aqueles seriam meus últimos dias de adolescente.

Estava quase voltando com e Leila, mas já não era mais a mesma coisa. Eu conversava muito com a Liliam e comecei a vê-la com olhos diferentes.

Numa noite de sábado, depois de algum vinho, faltou luz na casa da Liliam. Não precisávamos de nada mais.

Foi assim que ficamos.

Eu sabia que isso não iria dar certo. Eu estava dividido entre Leila e Liliam. Decidi que iria dar mais uma chance para a antiga namorada e, para isso, teria de terminar com a amiga.

Ao chegar lá na casa dela para bater esse papo fatídico, ela me disse, com a cara de quem havia chorado muito:

— Estou grávida!

Caiu o meu mundo.

Eu não sabia nem o que sentir. Fiquei em silêncio por algum tempo, me despedi e saí de lá. Naquela noite, enchi a cara.

Os dias se passaram. Minha família acolheu Liliam, que foi morar com minha avó, e durante toda a gravidez eu não estive com ela como homem, mas apenas como quem cumpre uma obrigação.

Era questão de tempo até Leila saber tudo. Ela entendeu e até aceitou continuar comigo. Mas fez uma exigência:

— Escolha: seu filho ou eu?

Aquela foi a última vez que a gente terminou.

Algumas semanas depois, lá estávamos no carro levando a Liliam pra ganhar o bebê. Eu estava desnorteado, com medo. Quando a deixei na sala de parto e o médico me perguntou se eu era o marido, eu percebi no olhar dela uma certa tristeza.

— Sim, eu sou.

Caminhei até ela e dei um beijo na boca de boa sorte. Consegui de Liliam um sorriso dela. Logo em seguida, as portas se fecharam.

Naquele momento, percebi como os olhos dela buscavam os meus. Não sei como eu não enxergava o potencial daquela relação, o quão incrível e forte Liliam estava sendo, de estar ao meu lado durante todo aquele tempo mesmo sem mim.

Naquela manhã de 12 de maio de 2005, ao entrar no quarto da maternidade, eu vi aquela mulher com um imenso sorriso de felicidade e com um branquelinho mirradinho que era a coisa mais perfeita que eu jamais imaginaria ser capaz de fazer.

Quando o peguei em meus braços, o tempo parou e eu não era mais um garoto.

Os primeiros meses voaram. Liliam e eu nos casamos e fomos morar juntos, formar nossa família, criar nosso filho. Era a melhor coisa que eu podia querer e nem eu sabia o quanto eu precisava disso – um lar feliz, uma bela esposa, um lindo garotinho que vê em você um herói e um monstro. E você, quando olha para ele, só vê o pedaço mais importante de si mesmo.

A primeira palavra dele foi “papai”.


Johnny, Juan e Liliam

Meu filho hoje tem 6 anos e meio. Enquanto eu escrevo, ele está lá no quintal me chamando para jogar bola e gritando o nome do nosso time. Por isso largo aqui a escrita e vou lá fazer o que realmente importa: amar e ser amado pelo meu filho.

Nota do editor: Este é o segundo texto da série "Momentos de um macho" (leia aqui o artigo que abriu a série). E é também o primeiro escrito por um de nossos insiders – homens comuns que aceitaram o desafio de escrever aqui textos sobre suas alegrias, suas tristezas, seus medos... Em breve, outros nomes pintarão no Portal Homem para bater um papo sobre os instantes mais importantes da vida de um homem. Acompanhem e comentem.

  • Johnny Amaro

    Tem 23 anos e doze meses, é pai, músico, poeta, roqueiro, solteiro convicto amante da liberdade e da arte de ser feliz. Já foi menino, adolescente, marido. Adora curtir a vida (que ainda existe) nos intervalos entre a responsabilidade e a preguiça! Se você não frequenta bares pode encontrá-lo aqui:

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